
Em
nosso sublime torrão da Paraíba e em nossa Pátria Brasil, temos seres humanos
fantásticos, especiais, singulares, únicos, que nos iluminam e nos enlevam com
seus exemplos, ao transformarem suas existências
no plano terrestre, em vidas a serviço de outras vidas. E essa doação se torna
mais impressionante, mais extraordinária, quando esses exemplos são dados de
forma coletiva, por meio de sinédrios, de associações, de agrupamentos
organizados, em prol da construção de um projeto compartilhado de transformação
de determinada realidade.
Essas pessoas são mais apaixonantes e
encantadoras quando da forma mais desassombrada e destemida, enfrentam e carregam
sobre os seus ombros o rótulo de “defensores de bandidos”, e são obrigadas a
ouvir, quando identificadas como militantes de Direitos Humanos, chavões
fascistas, reacionários, retrógrados e opressivos como: “direitos humanos é
para bandido”, “bandido bom é bandido morto”, adote um bandido”, “leve um
marginalzinho para casa”, “e se um bandido estuprar sua filha?”e outras
situações desagradáveis, mas todas lamentavelmente equivocadas, pois brotadas
das vísceras de indivíduos com formação incompleta, uma vez que mesmo com
diplomas universitários, não conseguiram alcançar ainda conceitos
indispensáveis para a formação da cidadania integral.
Recentemente, o Desembargador Rogério Medeiros
Garcia de Lima, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e a Jornalista Raquel
Sheherazade, apresentadora de um telejornal do SBT, destilaram odientos,
cáusticos e solertes comentários aviltando os Defensores dos Direitos Humanos
no Brasil e ambos mostraram intenso despreparo no tocante ao tema, ao
desconhecerem que Direitos Humanos são indispensáveis à construção da cidadania
plena, além de ignorarem que os Direitos Humanos englobam não somente os
direitos criminais, mas principalmente os direitos sociais, civis, econômicos e
políticos.
E essas pseudas autoridades e formadores de opinião,
nos mais terríveis dos abissais e assombrosos mundos das trevas do apedeutismo,
da incultura, da insciência obscurantista, como no ensaio de Platão, só vêem
sombras, não vislumbram as luzes da lucidez e do bom senso e se esquecem que
onde existem militantes de Direitos Humanos, temos cobrança de atitudes das
autoridades omissas no tocante a proteção da cidadania, à justiça, à
honestidade, à transparência política, à participação e democracia, ao invés de
ameaça, de prisão, de tortura, de negação dos direitos sociais e econômicos.
O Desembargador não aprendeu em seu Curso de
Ciências Jurídicas e Sociais e isto tenho afirmado sempre, o Curso de Direito
não dar sabedoria a ninguém, o bacharel sai com uma formação humanística
capenga, já que foi doutrinado apenas para decorar leis, teorias não
epistemológicas, construídas por nomes de figuras vaidosas e arrogantes e por
isto mesmo, nas sombras do rancor e da soberba, da formação manquitola, não
teve lições de que os Direitos Humanos são condições essenciais para se
assegurar a satisfação das necessidades vitais do ser humano para a vida digna
em sociedade: saúde,, educação, salário mínimo decente, esporte e lazer,
cultura, infra-estrutura, emprego, moradia, desenvolvimento econômico, respeito
ao meio ambiente, redistribuição da terra, participação popular nas decisões e
administrações públicas, direito de se organizar, participar, ir, vir e ficar e
sem a proteção desses direitos, não existe cidadania, Sr. Desembargador e
Senhora Jornalista.
Na ausência de conhecimento, a jornalista e o
desembargador, ao defender o uso da força e autodefesa coletiva da população e
adoção de delinqüentes por parte dos integrantes dos direitos humanos, na sua
orfandade de sabença, acabaram defendendo políticos corruptos desviadores de
recursos públicos, administradores sem compromisso com os direitos sociais, os
despossuídos de idéias e projetos para frenarem a violência, a mídia criminosa
que vive da audiência das plangentes e lastimosas conseqüências das faltas de
políticas públicas para socorro dos direitos acima apontados, os grupos de
extermínio, as polícias mineiras ou milícias, os fabricantes e contrabandistas
de armas, as oligarquias que se mantém no poder por conta do atraso e da falta
de fornecimento de educação, já que outrora se mantinham no poder por meio de
jagunços e hoje pelas armas dos seus conglomerados de comunicação e pela pena,
voz e imagem de cangaceiros assalariados entrincheirados em cima de teclados,
em frente à câmeras e microfones, e ainda, suas miopias intelectuais, os
transformam em autômatos, colaboradores de um sistema insano, cuja corrupção,
acaba nos transformando mesmo em defensores de uma cultura de morte, de
vingança.
Contudo, é muito mais cômodo e simplório, em vez
de incomodar o poder e os poderosos com suas posições de destaque, ele é
Desembargador e duvido que a sua caneta já tenha condenado um abastado ou um
político poderoso e ela jornalista, faz o jogo de uma empresa que para
funcionar, seu proprietário apoiou o Governo Militar de forma ignominiosa, que
o diga “A Semana do Presidente”, uma continência batida todas as semanas por
sua empresa para o Presidente General, e afirmo, sei da sua hesitação em
declinar qualquer crítica a esse período sombrio e às suas viúvas, a exemplo do
seu patrão, e, em suas frustrações ocultas e não reveladas, atirar a culpa nos
defensores dos direitos humanos, cujos militantes tem rosto, identidade,
dignidade, coragem, moradia e empregos certos, ideologia definida e compromisso
firme e inquebrantável por uma causa maior: A BUSCA DA CIDADANIA INTEGRAL é um
exercício gostoso e fácil, já que apostam no jogo do proselitismo barato.
Promotor Marinho Mendes